Estudo diário · Astronomia · Dia 2
Alpha Centauri: a vizinhança mais próxima
Três estrelas a pouco mais de 4 anos-luz: Alpha Centauri A e B, parecidas com o Sol, e a pequena Proxima, com dois planetas confirmados e flares violentos. Com os números da ESO, da NASA e dos artigos, o que é confirmado, o que é candidato e o que ainda é só proposta.

De onde viemos
O primeiro estudo da trilha foi O Estudo da Nossa Estrela, sobre o Sol por dentro. O segundo, ontem, foi O Sistema Solar: a bolha que nos guarda: os planetas, o cinturão de Kuiper, a Nuvem de Oort e a heliosfera. Terminou com as duas Voyager, que já saíram da bolha mas ainda estão dentro de casa.
Hoje a gente sai de casa e bate na porta do vizinho. É o segundo dia da rotina diária de astronomia. A trilha segue: Sol → Sistema Solar → estrelas da vizinhança → estrelas → galáxias → buracos negros → cosmologia.
Três estrelas
O que a gente chama de Alpha Centauri não é uma estrela. É um sistema de três:
| Alpha Centauri A | Alpha Centauri B | Proxima Centauri | |
|---|---|---|---|
| Tipo espectral | G2V (como o Sol) | K1V (um pouco mais fria) | M5.5Ve (anã vermelha) |
| Massa (Sol = 1) | 1,079 | 0,909 | cerca de 0,12 |
| Brilho aparente (V) | 0,01 | 1,33 | 11,13 |
| A olho nu? | sim | sim | não |
As massas de A e B são do ALMA (Akeson et al., 2021). Os tipos espectrais e os brilhos são do catálogo SIMBAD. Os dados de Proxima vêm do artigo da descoberta de Proxima b (Anglada-Escudé et al., 2016): temperatura de uns 3.050 K, raio de uns 0,14 do Sol, massa de uns 12% da do Sol e brilho de uns 0,1% do brilho solar.
A e B são um par apertado. Giram uma em volta da outra a cada 79,76 anos (Akeson et al., 2021), numa órbita bem alongada. A distância média entre elas é de umas 23 UA, um pouco mais que a de Urano ao Sol, como lembra a NASA. Pelas contas com a excentricidade medida (0,52), o par chega a uns 11 UA no ponto mais próximo e passa de 35 UA no mais afastado.
Proxima é a pequena do sistema, e a mais próxima de nós. É uma anã vermelha, fraca demais para o olho humano: o brilho dela (11,13) fica muito abaixo do limite da vista desarmada. Gira devagar, uma volta a cada uns 83 dias.
Visto da Terra, o par A e B forma um ponto só, um dos mais brilhantes do céu do hemisfério sul.
Quão perto
Aqui a régua muda. A UA, que serviu para o Sistema Solar, fica pequena demais. A medida passa a ser o ano-luz: a distância que a luz percorre em um ano, uns 9,46 trilhões de km.
- Proxima Centauri: 4,2465 anos-luz, pela paralaxe medida pelo satélite Gaia, da ESA (768,07 milésimos de segundo de arco, valor do Gaia DR3 no SIMBAD). São uns 40 trilhões de km, ou cerca de 268 mil UA. A NASA arredonda para 4,25.
- Alpha Centauri A e B: entre 4,34 e 4,37 anos-luz, conforme a medição. O valor de 4,37 vem da paralaxe de 747,17 milésimos de segundo de arco (Kervella et al., 2016). A medição mais precisa do ALMA (750,81, Akeson et al., 2021) dá cerca de 4,34. A NASA usa 4,35.
Um jeito de sentir a distância: a luz de Proxima que chega hoje saiu de lá por volta de julho de 2022. A gente vê o vizinho sempre com mais de quatro anos de atraso.
E, se a Voyager 1, o objeto feito por gente que mais longe chegou, fosse na direção de Proxima à velocidade de agora, 17 km por segundo, levaria uns 75 mil anos. A conta é nossa e serve só para dar escala: a Voyager nem vai para lá.
A órbita de Proxima
Por quase cem anos ficou a dúvida: Proxima gira mesmo em volta de A e B, ou só passa perto? A resposta veio em 2017. Com velocidades medidas pelo espectrógrafo HARPS, da ESO, Kervella, Thévenin e Lovis mostraram, com alta confiança, que Proxima está presa pela gravidade ao par.
A órbita é enorme:
- Período: cerca de 550 mil anos (547 mil, com margem de uns 40 a 66 mil).
- Tamanho: semieixo maior de uns 8.700 UA.
- Formato: excentricidade 0,50. No ponto mais próximo, Proxima chega a uns 4.300 UA do par. No mais afastado, a uns 13.000 UA.
- Agora: ela está perto do ponto mais afastado, a uns 13 mil UA de A e B, cerca de 0,2 ano-luz.
Ou seja, as três estrelas nasceram juntas, têm a mesma idade e a mesma composição de origem. Os autores sugerem que essa órbita pode ter mexido com a formação dos planetas, tanto em Proxima quanto em volta do par.
Os planetas de Proxima
Nenhum planeta de Proxima foi visto diretamente. Todos foram achados pelo método da velocidade radial: o planeta puxa a estrela, a estrela balança, e esse vaivém aparece como um desvio minúsculo na luz. Por isso o que se mede é a massa mínima: a massa real depende da inclinação da órbita, que não se conhece.
Proxima b (confirmado). Anunciado pela ESO em agosto de 2016 (Anglada-Escudé et al., Nature), depois da campanha Pale Red Dot no telescópio de 3,6 m de La Silla, no Chile. Proxima balançava uns 5 km por hora, o passo de uma caminhada, num ciclo de 11,2 dias. Confirmado em 2020 pelo ESPRESSO e de novo em 2025 pelo NIRPS.
- massa mínima: 1,055 ± 0,055 Terra (NIRPS, 2025; o anúncio de 2016 falava em pelo menos 1,3)
- órbita: 11,2 dias, a 0,0485 UA da estrela, uns 7 milhões de km, 5% da distância Terra–Sol
- lugar: dentro da zona habitável, porque a estrela é muito mais fraca que o Sol
Proxima d (confirmado em 2025). O sinal apareceu nos dados do ESPRESSO e a ESO anunciou o candidato em fevereiro de 2022 (Faria et al.). O empurrão dele na estrela é de só 40 centímetros por segundo. Em 2025, o espectrógrafo infravermelho NIRPS, também em La Silla, somado ao HARPS e a dados antigos, confirmou o planeta (Suárez Mascareño et al., Astronomy & Astrophysics).
- massa mínima: 0,260 ± 0,038 Terra, um dos planetas mais leves já medidos por esse método
- órbita: 5,1 dias, a 0,029 UA, entre a estrela e a zona habitável
Proxima c (candidato, contestado). Proposto em 2020 (Damasso et al., Science Advances), com órbita de uns 1.900 dias (5,2 anos), a 1,5 UA, massa mínima de 5,8 ± 1,9 Terra e temperatura de equilíbrio de uns 39 K. Medições de posição do Gaia e do Hubble deram algum apoio, com margens grandes. Mas uma reanálise do HARPS (Artigau et al., 2022) argumentou contra, e o NIRPS em 2025 achou indícios inconclusivos. O NASA Exoplanet Archive o mantém como candidato.
E um aviso sobre a irmã: o planeta anunciado em 2012 em volta de Alpha Centauri B ("Alpha Centauri Bb") não existe. Hoje ele consta como falso positivo no NASA Exoplanet Archive.
Flares e habitabilidade
Estar na zona habitável não quer dizer ser habitável. Quer dizer só que, pela distância da estrela, a temperatura poderia permitir água líquida, se houver atmosfera. E de Proxima b ninguém sabe se tem atmosfera.
O problema é a estrela. Anãs vermelhas como Proxima soltam flares, explosões de energia magnética que lançam ultravioleta e raios X. E Proxima é especialmente brava:
- Em março de 2016, a rede Evryscope pegou um superflare que deixou Proxima uns 68 vezes mais brilhante em luz visível, por instantes no limite do olho nu em céu muito escuro (Howard et al., 2018). Os autores estimam pelo menos cinco superflares por ano.
- No mesmo estudo, um modelo calcula que flares repetidos assim poderiam destruir 90% do ozônio de uma atmosfera como a da Terra em cinco anos, e a ultravioleta chegaria ao chão com umas cem vezes a dose que mata micróbios resistentes. É modelo, com hipóteses, e não medição em Proxima b.
- Em 1º de maio de 2019, nove telescópios, cinco com dados (entre eles ALMA, Hubble e TESS), viram um flare em que Proxima ficou mais de 14 mil vezes mais brilhante no ultravioleta distante em segundos, com o pico inicial durando menos de 10 segundos (MacGregor et al., 2021). Segundo a líder do estudo, citada pela NASA, havia flares gigantes todo dia e médios e pequenos muitas vezes por dia.
A ESO, em 2016, foi cuidadosa: estudos de clima não descartam água líquida hoje, talvez só na face voltada para a estrela, se o planeta tiver rotação travada, ou numa faixa tropical. Não se sabe. É uma pergunta aberta, não uma promessa.
Um gigante em Alpha Centauri A?
Em agosto de 2025, NASA e ESA anunciaram o que o telescópio James Webb viu em volta de Alpha Centauri A. Com o coronógrafo do instrumento MIRI, que tapa a luz da estrela, a equipe de Charles Beichman e Aniket Sanghi (dois artigos no The Astrophysical Journal Letters) achou em agosto de 2024 um ponto de luz, chamado S1:
- a uns 1,5 segundo de arco da estrela, cerca de 2 UA
- mais de 10 mil vezes mais fraco que Alpha Centauri A
- significância de 4 a 6 vezes o ruído (3,3 a 4,3 sigma)
- não é objeto de fundo nem da frente, e dificilmente é defeito do detector, segundo os testes
Mas o ponto não apareceu de novo em fevereiro nem em abril de 2025. A equipe simulou milhões de órbitas e calculou que, se S1 for o mesmo objeto que o VLT, da ESO, viu em 2019 (o candidato C1, de Wagner et al., 2021), há 52% de chance de ele ter ficado escondido nas duas tentativas por causa do movimento na órbita.
Se for real, seria um gigante gasoso de uns 225 K, raio de 1 a 1,1 Júpiter e massa de 90 a 150 Terras, parecida com a de Saturno, numa órbita de 2 a 3 anos, alongada e bem inclinada em relação ao par. Seria o planeta mais perto da Terra na zona habitável de uma estrela parecida com o Sol, mas, sendo gigante gasoso, não abrigaria vida como a conhecemos, diz a própria NASA.
Status: candidato. Os próprios autores dizem que não dá para confirmar S1 como planeta e que é preciso vê-lo de novo.
A travessia proposta
Em abril de 2016, a Breakthrough Initiatives lançou o Breakthrough Starshot: um conjunto de lasers no chão empurrando velas de luz finíssimas, com naves na escala de gramas, até uma fração grande da velocidade da luz. A página do projeto fala em até 100 milhões de milhas por hora (uns 15% da velocidade da luz) e em chegar a Alpha Centauri em pouco mais de 20 anos, para fotografar Proxima b de passagem. Foram prometidos US$ 100 milhões para provar o conceito.
É uma proposta. Nunca houve lançamento. A página de desafios do próprio projeto lista problemas de engenharia em aberto, como um emissor de laser da classe de 100 gigawatts e o calor que a vela teria de aguentar. A Scientific American lembra que a vela precisaria suportar uma aceleração de umas 40 mil vezes a gravidade. Em setembro de 2025, a revista contou que o programa foi posto em pausa. Num e-mail citado pela reportagem, o diretor executivo, Pete Worden, escreveu: "colocamos o programa em espera e estamos trabalhando para passar partes dele a outros". Pela conta de um dos pesquisadores, foram gastos uns US$ 4,5 milhões em cerca de 30 contratos.
A pesquisa de velas de luz segue em outros grupos. Mas a primeira travessia até o vizinho continua uma ideia.
Onde o dado termina
Como nos estudos anteriores, nem tudo aqui tem o mesmo peso.
- Medido: distâncias por paralaxe (Gaia, ALMA); tipos espectrais e brilhos; massas de A e B e a órbita do par; Proxima presa ao par (velocidades do HARPS); os sinais de Proxima b e d, vistos por vários instrumentos; os flares de 2016 e 2019.
- Modelo, com boa base: a órbita de Proxima em volta do par, com margens; a zona habitável; o efeito dos flares sobre o ozônio de uma atmosfera parecida com a da Terra.
- Candidato ou em aberto: Proxima c; o gigante S1 em Alpha Centauri A; se Proxima b tem atmosfera, água ou rotação travada; a massa real de b e d, porque só se conhece a mínima.
- Proposta: o Breakthrough Starshot.
Correções anotadas
Na conferência, estas afirmações comuns, algumas da própria pauta, foram ajustadas:
- "Proxima está a 4,24 anos-luz." O valor do Gaia DR3 é 4,2465. Com duas casas, arredonda para 4,25, como faz a NASA. O 4,24 é corte, não arredondamento.
- "Alpha Centauri A e B estão a 4,37 anos-luz." Esse é o valor da paralaxe de 2016. A medição do ALMA de 2021 dá cerca de 4,34, e a NASA usa 4,35. A distância vai de 4,34 a 4,37, conforme a medição.
- "Proxima tem três planetas confirmados." Está no próprio comunicado de NASA e ESA sobre o Webb (agosto de 2025). Mas o NASA Exoplanet Archive lista Proxima c como candidato, e o NIRPS em 2025 não a confirmou. Confirmados: b e d.
- "Proxima d foi descoberto em 2025." A ficha da NASA diz "descoberta anunciada em 2025". O candidato foi anunciado pela ESO em fevereiro de 2022, e 2025 é o ano da confirmação (NIRPS).
- "Proxima b tem 1,3 vez a massa da Terra." Esse era o mínimo do anúncio de 2016. O valor atual é 1,055 ± 0,055 Terra, e é massa mínima, não a massa real.
- "Alpha Centauri A é a terceira estrela mais brilhante do céu" (NASA e ESA). A olho nu, o par A e B forma um ponto só, e esse ponto é o terceiro mais brilhante. Sozinha, A (V 0,01) fica um pouco atrás de Arcturo (V −0,05), pelos valores do SIMBAD.
- "O Webb achou um planeta em Alpha Centauri A." Achou um candidato, visto numa observação de três, que precisa ser confirmado.
- "Alpha Centauri B tem um planeta (Bb)." O anúncio de 2012 hoje consta como falso positivo.
- "O Starshot vai mandar naves a 20% da luz." É uma proposta, em pausa, nunca lançada. A página oficial fala em até 100 milhões de milhas por hora, uns 15% da luz. Os 20% circulam em outras falas do projeto.
- "Dá para ver a estrela mais próxima a olho nu." O que se vê é o par A e B. Proxima (V 11,13) só aparece com telescópio. A exceção foi o superflare de 2016, que por instantes a deixou no limite do olho nu, em céu muito escuro.
Para que serve
O vizinho mais próximo ensina humildade de escala. Saímos de uma bolha de 120 UA para uma distância de 268 mil UA. É o mesmo céu, mas a régua mudou. A primeira travessia, a de verdade, ainda não começou: o que temos é luz que chegou com quatro anos de atraso e sinais de centímetros por segundo.
E ensina método, de novo. Um planeta só vira confirmado quando instrumentos diferentes, em anos diferentes, veem o mesmo sinal: Proxima b passou por HARPS, ESPRESSO e NIRPS. Proxima d esperou três anos como candidato. Proxima c e o S1 de Alpha Centauri A ainda esperam. E até um comunicado oficial pode arredondar demais ("três confirmados").
É o jeito do Castelo: o que entra fica marcado como medido, candidato ou proposta, e só sobe de grau com evidência nova. O universo e as possibilidades dele são grandes o bastante para a gente não precisar exagerar nada.
Próximo passo da trilha: as estrelas. Como nasce, vive e morre uma estrela, começando pelas anãs vermelhas, o tipo de Proxima, o mais comum da galáxia.
Fontes
- eso1629 — Planet Found in Habitable Zone Around Nearest Star — ESO, 2016: descoberta de Proxima b, Pale Red Dot, 11,2 dias, zona habitável, flares e clima.
- Anglada-Escudé et al., Nature, 2016 (arXiv:1609.03449): Proxima b; dados de Proxima (3.050 K, 0,14 raio solar, 12% da massa do Sol, rotação de uns 83 dias).
- eso2202 — New planet detected around star closest to the Sun — ESO, 2022: Proxima d como candidato, 40 cm/s, ESPRESSO.
- Faria et al., A&A, 2022 (arXiv:2202.05188): Proxima d, 5,12 dias, 0,26 Terra, 0,029 UA.
- Suárez Mascareño et al., A&A, 2025 — NIRPS: confirmação de Proxima d; massas mínimas de b (1,055) e d (0,260); Proxima c inconclusivo.
- Proxima Centauri b e Proxima Centauri d — NASA Exoplanet Catalog: massas, órbitas e anos registrados.
- NASA Exoplanet Archive — sistema alf Cen / Proxima: Proxima c como candidato; Alpha Cen B b como falso positivo.
- Damasso et al., Science Advances, 2020: o candidato Proxima c (1.900 dias, 5,8 Terras mínimas).
- Kervella, Thévenin e Lovis, A&A, 2017 (arXiv:1611.03495): Proxima presa ao par; período de uns 550 mil anos; 4.300 e 13.000 UA.
- Akeson et al., AJ, 2021 (arXiv:2104.10086): ALMA; massas de A (1,0788) e B (0,9092); período de 79,76 anos; paralaxe de 750,81 mas.
- Kervella et al., A&A, 2016 (arXiv:1610.06079): órbita e paralaxe de Alpha Centauri (747,17 mas).
- SIMBAD — Proxima Centauri, α Cen A e α Cen B: paralaxe do Gaia DR3 (768,0665 mas), tipos espectrais e brilhos V.
- The Nearest Star — NASA Imagine the Universe: 4,25 e 4,35 anos-luz; A e B a umas 23 UA uma da outra.
- Howard et al., ApJL, 2018 (arXiv:1804.02001): superflare de 2016 (68 vezes); efeito no ozônio (modelo).
- MacGregor et al., ApJL, 2021 (arXiv:2104.09519), ALMA e NASA: flare de 1º/5/2019, mais de 14.000 vezes no ultravioleta.
- NASA's Webb Finds New Evidence for Planet Around Closest Solar Twin — NASA, 2025 e ESA/Webb weic2515: anúncio do candidato em 7/8/2025.
- Beichman et al., ApJL 989 L22, 2025 e Sanghi et al., ApJL 989 L23, 2025 (arXiv:2508.03812): o candidato S1, 52%, órbitas de 2 a 3 anos, 90 a 150 Terras.
- Wagner et al., Nature Communications, 2021: VLT/NEAR e o sinal C1, possível planeta ou disco, com artefato não descartado.
- Breakthrough Starshot — Breakthrough Initiatives e desafios: a proposta, as metas e os problemas em aberto.
- How a Billionaire's Plan to Reach Another Star Fell Apart — Scientific American, 2025: Starshot em pausa, US$ 4,5 milhões em uns 30 contratos.
Perguntas frequentes
+Qual é a estrela mais próxima do Sol?
Proxima Centauri, uma anã vermelha a cerca de 4,25 anos-luz (4,2465 pela paralaxe do Gaia DR3). Ela faz parte do sistema Alpha Centauri, junto com Alpha Centauri A e B, que ficam a cerca de 4,34 a 4,37 anos-luz, conforme a medição. Proxima é fraca demais para ser vista a olho nu.
+Quantos planetas tem Proxima Centauri?
Dois confirmados: Proxima b (massa mínima de cerca de 1,06 Terra, órbita de 11,2 dias, na zona habitável) e Proxima d (massa mínima de cerca de 0,26 Terra, órbita de 5,1 dias), confirmada em 2025 com o espectrógrafo NIRPS. Proxima c, com órbita de uns 5 anos, continua candidata: o NASA Exoplanet Archive a lista como candidata e as análises mais recentes não a confirmaram.
+Proxima b pode ter vida?
Não se sabe. Ela fica na zona habitável, onde a temperatura permitiria água líquida, mas ninguém sabe se tem atmosfera. Proxima solta flares frequentes e fortes; um estudo de 2018 calculou que eles poderiam destruir 90% do ozônio de uma atmosfera como a da Terra em cinco anos. Habitável, aqui, quer dizer só que a distância da estrela é a certa.
+O telescópio James Webb achou um planeta em Alpha Centauri A?
Achou um candidato. Em agosto de 2024, o instrumento MIRI viu um ponto de luz, chamado S1, a cerca de 2 UA da estrela, compatível com um gigante gasoso de massa parecida com a de Saturno. Ele não apareceu de novo em fevereiro e abril de 2025. Os autores calculam 52% de chance de o planeta ter passado despercebido por causa da órbita. Precisa ser visto de novo para ser confirmado.
+Quanto tempo levaria para chegar a Proxima Centauri?
Na velocidade atual da Voyager 1, 17 km por segundo, uns 75 mil anos (conta feita com a distância de 4,2465 anos-luz; a Voyager nem vai naquela direção). O projeto Breakthrough Starshot propôs velas empurradas por laser que chegariam em pouco mais de 20 anos, mas é uma proposta, nunca lançada, e foi posta em pausa.
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